Desafios e tarefas do PSOL

33. É um desafio inadiável do partido compreender que vivemos tempos em que são imprescindíveis políticas unitárias setoriais, regionais e nacionais, para enfrentar Bolsonaro e a extrema-direita. É fundamental, ainda que a direção hegemonista do PT não o queira, chamar ao conjunto das forças de esquerda, incluído o petismo, à constituição de um grande movimento nacional de partidos e organizações sociais pela derrota, nas lutas, de Bolsonaro e suas medidas ultraneoliberais. Paralelamente a esse esforço permanente, é crucial que o partido se jogue na construção de frentes amplas em defesa das liberdades democráticas (em alguns momentos com forças burguesas não-reacionárias) e em defesa de direitos sociais e trabalhistas (muito provavelmente restritas a frentes ou unidades de ação da classe).

34. Não há contradição entre construir uma frente única no movimento e fortalecer o PSOL como alternativa ecossocialista, feminista, antirracista e de luta. Para que semeemos a ideia de um novo projeto de esquerda, que supere o projeto petista de conciliação com os ricos e poderosos e a lógica dos governos de coalizão fisiológica, é preciso que o PSOL dispute qual é a melhor orientação, caso a caso, dentro das frentes e unidades de ação. É preciso chamar às unidades e frentes para, dentro delas, batalhar para que os enfrentamentos com o governo e o capital não retrocedam, para que as direções majoritárias burocráticas não bloqueiem o caminho da vitória, tal como fizeram depois da greve geral de 28 de abril de 2017. É assim que lutamos para que setores do ativismo e das massas avancem em sua consciência política.

35. Para ser capaz de disputar estrategicamente os rumos da luta e da consciência política das massas, o PSOL precisa dotar-se unitariamente de um programa anti-imperialista, anticapitalista, internacionalista e ecossocialista, que invista na defesa de bandeiras democráticas. Um programa anticapitalista que aponte para a ruptura com o sistema atual, para uma transição que venha a substituir a sociedade de mercado por uma sociedade de produtores livremente associados. Um programa que parta do entendimento que o capitalismo instalou uma contradição inconciliável entre o ser humano e a natureza, contradição que só terá resposta num projeto de novo modo de produzir, não predatório, não espoliador da natureza, em equilíbrio com as possibilidades do planeta. Necessitamos de uma plataforma de reformas radicais e sócioambientalmente justas. Necessitamos afirmar um projeto socialista para o Brasil.

36. Podemos e devemos buscar vitórias em representação institucional, mas sem perder de vista que as campanhas eleitorais são também momentos privilegiados de propaganda das ideias socialistas e de afirmação de um perfil diferenciado. Nas eleições de 2020 o PSOL deve ser protagonista buscando ter candidaturas próprias nos municípios.

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