Frente única e 2022

14- Bolsonaro, por suas pretensões autoritárias e seu caráter genocida e ecocida, precisa ser parado o mais breve possível, seja pelo impeachment ou pela cassação de sua chapa pelo TSE. Mesmo agora, em seu momento de maior enfraquecimento desde o início do governo, em nome da implementação da agenda ultraliberal no Brasil, Bolsonaro segue governando por servir aos interesses do “andar de cima” e poderá chegar a outubro de 2022 com chances de reeleição. A derrota da extrema direita é a prioridade que deve guiar as lutas populares e a definição tática a ser feita pelo PSOL nas próximas eleições.

15- O PSOL precisa dialogar com uma crescente massa anti-bolsonarista que deseja a unidade com quem estiver disposto a derrotar Bolsonaro. A melhor localização para o partido é a que garanta que ele continue crescendo, sendo atrativo para aglutinar setores sociais em luta e resistência à ofensiva reacionária, não abrindo mão de seu programa e do que acumulou no último período, como ferramenta fundamental na reorganização da esquerda brasileira, para unificar os explorados e oprimidos em um novo bloco histórico.

16- No entanto, seria um erro se aliar com a direita tradicional para governar o Brasil, sobretudo num contexto de crise econômica aguda que um possível governo pós-bolsonaro enfrentará: um país super-endividado, ainda mais desindustrializado, com uma defasagem educacional de 2 anos, uma perda acelerada de biodiversidade e um desemprego massivo, num planeta que diminui os empregos razoavelmente remunerados e que adensa os números de violência de gênero, racial e lgbtfóbica. Diferente do ciclo das commodities, o contexto do próximo governo não permitirá uma política baseada no “ganha-ganha” entre as classes sociais. 

17- Por isso, é urgente que a esquerda consiga finalmente se apresentar unificada em uma frente nas ruas e nas eleições para enfrentar a agenda de retrocessos do bolsonarismo. É hora da esquerda ter a ousadia de enfrentar suas diferenças e aglutinar um vasto campo social em torno de uma plataforma popular, democratizante, antineoliberal e ecológica para o Brasil.

18- Para além de nomes, a esquerda precisa dizer ao Brasil como vamos gerar empregos, retomar a economia, e ao mesmo tempo não reproduzir os erros do passado:  a aposta na política de conciliação de classe e num modelo de desenvolvimento devastador, a governabilidade conservadora em aliança com a direita, o não enfrentamento dos mecanismos de reprodução da desigualdade brasileira, as negociatas com as empresas e os recuos nas pautas da negritude, das mulheres e LGBTQIA+.

19- O VII congresso do PSOL deve autorizar a direção do partido a negociar as condições políticas, programáticas, de alianças e espaço para construir uma frente de esquerda que envolva partidos e movimentos sociais. Essa orientação não descarta que, a depender do risco de reeleição de Bolsonaro e das alianças feitas pelos demais partidos de esquerda, o PSOL decida, mais à frente, apresentar uma candidatura própria. A decisão final sobre tática deve ocorrer em instância específica para o tema, a ocorrer até abril de 2022, que pode ser uma conferência eleitoral ou um diretório nacional ampliado.

20- O PSOL organizará um amplo debate de programa com a esquerda e movimentos sociais buscando a formação de um programa de ação comum sintetizado em medidas que partam da reversão dos principais ataques dos últimos anos, como a derrubada do teto dos gastos, da reforma trabalhista e previdenciária, defesa da Amazônia e do Cerrado, entre outras medidas.

21- Ainda que o PSOL decida por fazer parte de uma aliança que tenha como prioridade derrotar Bolsonaro, não faremos parte de um governo de conciliação de classes.  

22- Sem organização e luta popular nas ruas e nas redes não haverá superação ao Bolsonarismo. Precisamos desarmar a ilusão de que somente por meio de alianças institucionais seremos capazes de deter o conservadorismo e a agenda ultraliberal.

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